'Toda literatura é sobre experiência de estar vivo', diz Paulliny Tort, autora do DF premiada por romance

  • 31/10/2026
(Foto: Reprodução)
Paulliny Tort Renato Parada/Divulgação De uma história futurista a um romance entre neandertais, com histórias narradas por idosos, crianças e até seres não humanos: todo o esforço da literatura é sobre a "sensação de estar vivo". É o que defende a escritora brasiliense Paulliny Tort, vencedora do Prêmio Literário Biblioteca Nacional na categoria romance com "Os imortais" (2026). O resultado da premiação, uma das mais prestigiadas do país, foi anunciado no dia 20. 🏆 Paulliny compartilha o prêmio com autores estreantes e nomes ilustres da literatura brasileira, como Adélia Prado, vencedora na categoria poesia, e Maria Valéria Rezende, em contos. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 no WhatsApp. Pesquisa indica aumento de leitores no Brasil Em "Os imortais", publicado pela editora Fósforo, a brasiliense narra uma luta por sobrevivência no período glacial. A história ocorre sob a perspectiva do Homem, um sujeito que chefia seu grupo enquanto é atravessado pelo luto, pelo medo e pela curiosidade ao encontrar uma nova espécie. “Todo o esforço da literatura é sobre a experiência de estar vivo, o que a gente sente diante da experiência de estar vivo. A experiência da vida impacta não só nós, pessoas humanas. Então, seja um neandertal, ou seja um grupo de crianças em situação de rua como Jorge Amado [em 'Capitães de areia'], ou mesmo uma autoficção, ele sempre vai passar por esses sentimentos, esses estranhamentos, os encantamentos da vida”, afirma. A história, ressalta a autora, não é uma tentativa de precisar cientificamente como vivia a espécie -- mas sim, de “deixar a imaginação correr livre”. “Eu costumo dizer que eu não fiz uma pesquisa para o livro. Mesmo antes da universidade, mesmo quando eu era criança, adolescente, eu já lia sobre. Daí, quando eu chego para escrever uma história, tem esse background”, conta a escritora. A curiosidade sobre a vida em suas diversas formas levou Paulliny a cursar Biologia na Universidade de Brasília (UnB), onde estagiou na área de primatologia. Mas não foi a experiência no laboratório que levou a autora a explorar esse tema na literatura. O processo, na verdade, foi o oposto. Imagem e ação Para a escritora, as obras surgem de uma cena, a partir da qual ela desenvolve sem saber no que vai dar. Em Os Imortais, a imagem foi a de um neandertal caçando um javali. “Eu sentei, comecei a trabalhar, gostei da imagem. Fui ficando, fui me envolvendo com o personagem. E aos poucos, ele foi me apresentando o resto da história”, conta. Os Imortais, de Paulliny Tort. Editora Fósforo, 2026. Divulgação “Eu escrevo com o prazer da descoberta, eu quero saber aonde a história vai me levar. Às vezes, eu até sei aonde ela vai me levar, mas não como ela vai me levar. Quando eu estou escrevendo, eu posso até saber o que vai acontecer, mas não sei como, vou descobrir escrevendo”, afirma. ✍️Mas a escrita não é feita de um “momento de inspiração”. A autora destaca que a escrita tem uma série de ferramentas. É necessário estudar temas, ler referências, assistir coisas novas e tudo aquilo que estimule a criação. Atualmente, Paulliny se dedica exclusivamente à escrita e defende o reconhecimento da profissão. “Todas as linguagens artísticas merecem um status de trabalho. A gente tem que tratar essas pessoas com dignidade na sociedade, porque o que elas oferecem para a gente é precioso também”, pontua. Cenário promissor Para a escritora, a literatura brasileira vive um momento de “menos timidez”. Há um movimento de maior interesse dos leitores e mais procura de escritores para publicação. Segundo levantamento feito pela Câmara Brasileira do Livro, o Brasil ganhou 3 milhões de leitores entre 2024 e 2025. “A visibilidade para a literatura contemporânea aumentou, a gente tem clubes de leitura, tem esse movimento de ler mulheres, que eu acho que também ajudou muito. Não só mulheres, mas, por exemplo, o Itamar [Vieira Junior], que é um fenômeno da literatura nacional, tem revistas especializadas. Então, eu acho que tem gente querendo ler autores e autoras brasileiras cada vez mais”, comenta. A tendência, aponta a autora, é que esse número cresça ainda mais. Para isso, no entanto, Paulinny defende que haja políticas de incentivo. Uma das ações é o MEC Livros, iniciativa do Ministério da Educação que dá acesso a livros digitais de forma gratuita. Paulliny comenta que o projeto ainda apresenta uma série de fatores a serem melhorados, como a remuneração de autores e os processos de seleção das obras, mas é um passo importante. “Existem diferentes tipos de livros para diferentes tipos de pessoas. O importante é que existam políticas públicas para o livro e para a leitura, isso eu acho que é indispensável”, finaliza. Leia mais notícias sobre a região no g1 DF.

FONTE: https://g1.globo.com/df/distrito-federal/noticia/2026/10/31/toda-literatura-e-sobre-experiencia-de-estar-vivo-diz-paulliny-tort-autora-do-df-premiada-por-romance.ghtml


#Compartilhe

Aplicativos


Locutor no Ar

Peça Sua Música

Chama no Zap 61 9 8647-0517 e Peça sua Música

Anunciantes