Hospital Anchieta: polícia apura mais sete mortes ligadas a técnicos de enfermagem presos no DF
04/03/2026
(Foto: Reprodução) Polícia investiga sete novas mortes na UTI do Hospital Anchieta
A Polícia Civi do Distrito Federal investiga sete novas mortes no Hospital Anchieta possivelmente ligadas aos técnicos de enfermagem presos. A informação foi confirmada à TV Globo por fontes ligadas à investigação.
Dos sete novos casos suspeitos sendo investigados, três já estão com inquéritos abertos. Todas as mortes em apuração ocorreram no ano passado.
As famílias contaram em depoimento aos investigadores que se lembram dos técnicos de enfermagem suspeitos trabalhando no leito de UTI – e desconfiam que as mortes dos parentes podem ter sido provocadas por eles.
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Amanda Rodrigues de Sousa, Marcos Vinícius Silva e Marcela Camilly Alves são os três técnicos de enfermagem suspeitos de matarem pacientes na UTI do Hospital Anchieta
TV Globo/Reprodução
Além dos depoimentos, os investigadores estão analisando os prontuários médicos e os últimos exames dos pacientes no Instituto de Medicina Legal (IML).
A polícia também pediu ao Hospital Anchieta as imagens das câmeras de segurança da UTI de diferentes datas, correspondentes aos casos suspeitos.
O hospital respondeu que essas imagens já tinham sido apagadas do sistema.
Marcos Vinícius Silva Barbosa de Araújo, de 24 anos; e Marcela Camilly Alves da Silva, de 22 anos; estão presos temporariamente desde 12 de janeiro. Amanda Rodrigues de Sousa, de 28 anos, foi presa três dias depois, em 15 de janeiro.
A justiça prorrogou por mais 30 dias a prisão dos três técnicos de enfermagem suspeitos de provocar a morte de pacientes na UTI do hospital Anchieta
Na tarde desta terça-feira (3), as técnicas de enfermagem Marcela Camille e Amanda Rodrigues prestaram novos depoimentos. Elas foram transferidas da Penitenciária da Colmeia para o Departamento de Polícia Especializada, onde foram ouvidas por duas horas e meia, na companhia dos advogados.
Já o técnico de enfermagem Marcos Vinícius prestou novo depoimento na última sexta-feira. A prisão temporária dos técnicos foi prorrogada no mês passado e termina no fim da próxima semana, assim como o prazo da polícia para concluir o inquérito e encaminhar ao Ministério Público do Distrito Federal (MPDFT).
Nesta quarta (4), o advogado de Amanda afirmou que pediu a revogação da prisão, mas o pedido foi recusado na semana passada.
Em nota, a defesa de Marcela Camilly declarou a inocência da acusada. Os advogados disseram que técnina viu "as injeções aplicadas pelo outro acusado em um ato ordinário de rotina", mas que "nunca se atentou ou sequer imaginou a possibilidade de que um crime pudesse estar sendo praticado".
Já o Anchieta afirmou que o "hospital permanece colaborando integralmente com as investigações conduzidas pela Polícia Civil do Distrito Federal". A TV Globo tenta contato com a defesa de Marcos Vinícius.
Quem são as vítimas
As vítimas são João Clemente Pereira, de 63 anos, Marcos Raymundo Fernandes Moreira, de 33 anos e Miranilde Pereira da Silva, de 75 anos
Arquivo pessoal/Reprodução
São investigadas as mortes de:
Miranilde Pereira da Silva, 75 anos — morreu no dia 17 de novembro, seis dias depois de dar entrada no Anchieta com uma constipação.
João Clemente Pereira, 63 anos — era servidor público da Caesb. Ele também morreu no dia 17 de novembro, treze dias depois de dar entrada no Anchieta com tontura causada por um coágulo na cabeça.
Marcos Raymundo Fernandes Moreira, 33 anos — foi internado com dores abdominais e suspeita de pancreatite. Ele morreu no dia primeiro de dezembro.
O que já se sabe sobre as mortes no Hospital Anchieta, no Distrito Federal
Marcos Vinícius está preso na Divisão de Controle e Custódia de Presos (DCCP), que fica no Complexo da Polícia Civil. Já as outras duas técnicas de enfermagem Marcela e Amanda cumprem a prisão temporária na Penitenciária Feminina do Distrito Federal, conhecida como Colmeia.
🔍 Por que a prisão foi prorrogada?
A prisão dos três técnicos é temporária — uma medida prevista na legislação brasileira e usada durante a fase de investigação, quando a polícia precisa de tempo para reunir provas, ouvir testemunhas e esclarecer os fatos até concluir o inquérito.
Nesse tipo de prisão, o prazo inicial é de 30 dias em casos de crimes considerados hediondos ou equiparados (como homicídio qualificado, estupro e tráfico).
Antes do fim desse período, a polícia pode pedir à Justiça a prorrogação por mais 30 dias, caso entenda que as investigações ainda não foram concluídas.
Principal suspeito confessou os crimes
Marcos Vinícius Silva Barbosa de Araújo chegou a negar envolvimento, mas confessou os crimes em depoimento à Polícia Civil após ser confrontado com imagens das câmeras de segurança da unidade. Marcela também confessou.
Segundo a investigação, o homem injetou doses altas de um medicamento nos pacientes – ou seja, usou o produto como um veneno. Em uma das vítimas, ele também injetou desinfetante na veia.
Já as mulheres são acusadas de participar dos crimes "dando cobertura" ao outro técnico.
Ainda segundo a Polícia Civil, Marcos trabalhava há cinco anos na área. Após abrir a investigação interna, o Hospital Anchieta demitiu os três suspeitos.
O que diz a defesa de Marcela Camilly Alves da Silva
" Escritório Luís Alexandre Rassi e a advogada Viviane Ferreira Silva Oliveira assumiram a defesa da técnica de enfermagem Marcela Camilly Alves da Silva de forma pro bono, por plena convicção de sua inocência. Marcela depôs em 12/01/2026 em momento de choque e fragilidade, sem orientação adequada, e suas respostas refletem apenas humanidade, surpresa e dor — não culpa; ontem, 04/03/2026, ela finalmente teve a oportunidade de esclarecer, com serenidade, os fatos e as dúvidas que pairavam.
Ao longo da investigação, houve a extração e análise de mídias que retratam Marcela como uma jovem profissional que tem orgulho da profissão que escolheu, que se dizia feliz porque, em seu plantão, “as pessoas não morriam”, justamente por acreditar estar cuidando e preservando vidas, jamais contribuindo para abreviá‑las.
Naturalmente, diante de uma imagem gravada, é correto afirmar ter visto um técnico de enfermagem aplicar uma injeção; há, porém, um longo caminho até concluir que ela anuiu, participou ou permitiu a morte daquelas pessoas, sobretudo porque as quebras realizadas não revelam qualquer ajuste, comando ou incentivo seu em relação aos atos hoje investigados.
Do ponto de vista subjetivo, Marcela viu nas injeções aplicadas pelo outro acusado um ato ordinário de rotina, compatível com o ambiente de UTI, e nunca se atentou ou sequer imaginou a possibilidade de que um crime pudesse estar sendo praticado diante de seus olhos, o que é coerente com seu primeiro emprego na área e a fase de treinamento em que se encontrava.
Somando a isso, tanto a defesa quanto Marcela lamentam profundamente o ocorrido com as vítimas e confiam que a verdade e sua dignidade serão restabelecidas pelo devido processo legal, com a análise integral, técnica e imparcial de todas as provas produzidas.
Luís Alexandre Rassi e Viviane Ferreira Silva Oliveira”
O que diz o Hospital Anchieta
"O Hospital Anchieta esclarece que foi a própria instituição que identificou indícios de ilícitos e comunicou o caso às autoridades competentes.
Desde então, o hospital permanece colaborando integralmente com as investigações conduzidas pela Polícia Civil do Distrito Federal, atendendo todas as solicitações realizadas no âmbito do processo investigativo, todas dentro dos prazos legais e institucionais, apresentando integralmente as documentações e informações solicitadas, bem como as imagens disponíveis.
Por envolver investigação em andamento sob segredo de justiça, a instituição não comenta detalhes das diligências, mas reafirma seu compromisso com a transparência, com a apuração rigorosa dos fatos e com a segurança da assistência prestada aos pacientes."
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