Virginia induziu público a fazer aposta errada em Cabo Verde contra a Argentina na Copa do Mundo, diz MP

  • 09/07/2026
(Foto: Reprodução)
Virginia incentiva apostas em Cabo Verde contra Argentina; MP processou influenciadora O Ministério Público do Distrito Federal afirma que a influenciadora Virginia Fonseca participou de uma "estratégia coordenada e sistemática" do site de apostas Blaze para captar apostadores durante a Copa do Mundo de 2026. A argumentação consta na ação civil pública apresentada nesta quarta-feira (8) contra Virginia e a Blaze. O documento acusa Virginia de ter induzido seus seguidores a erro ao incentivar apostas na vitória de Cabo Verde na partida contra a Argentina, na última sexta-feira (3), no mata-mata do torneio. No vídeo, a influenciadora disse que estava "esperançosa" que o goleiro de Cabo Verde, Vozinha, iria "pegar todas" (assista acima). Segundo o MP, no dia da partida, a influenciadora divulgou um vídeo no qual parecia apostar na vitória de Cabo Verde sobre a Argentina; O conteúdo, ainda de acordo com o MP, não estava sinalizado como publicidade; "Como esperado pelo senso médio, a Seleção da Argentina venceu a partida (3 a 2), impondo perda integral aos consumidores que seguiram a recomendação", diz o Ministério Público; O MP argumenta que Virginia usou linguagem emocional de "esperança" para induzir seus seguidores a um comportamento que levaria a perdas financeiras, sem mencionar as probabilidades reais. "As apurações demonstram que a conduta de Virginia Fonseca não foi episódica. Ela integra um modelo sistemático e estruturado de captação de apostadores orquestrado pela Blaze durante a Copa do Mundo de 2026. A plataforma adotou uma estratégia coordenada de intensificação publicitária coincidente com as partidas, explorando a alta exposição emocional e o engajamento coletivo do torneio para induzir o consumo impulsivo", afirma o órgão. Em nota, a defesa da influenciadora Virginia Fonseca disse que "refuta as alegações manifestadas na ação, especialmente qualquer afirmação de conluio, atuação predatória ou intenção de causar prejuízo aos consumidores" (leia íntegra ao final da reportagem). Em nota, a Blaze afirma que não foi formalmente intimada e que "se mantém comprometida com a transparência e conformidade com a legislação e as regulamentações em vigor no país". 🔎 Ação civil pública é um instrumento jurídico que tem o intuito de proteger os interesses da coletividade. Ela a é cabível para responsabilizar quem tenha causado danos morais ou materiais contra a sociedade ou grupos específicos. Dentre outras medidas, a ação do Ministério Público pede, em tutela de urgência, que Virginia remova de suas redes sociais todo conteúdo publicitário relacionado a apostas que: prometa lucros irreais; induza o consumidor a erro; estimule apostas em time, evento ou condição esportiva específica; utilize publicidade disfarçada em conteúdos de natureza pessoal, familiar, de viagens ou equivalentes, sem identificação clara e ostensiva de seu caráter promocional. O que diz a ação do MP do DF Virgínia na CPI das Bets Edilson Rodrigues/Agência Senado Segundo a ação do MP, obtida pela reportagem, há indícios de "práticas abusivas, retenção sistemática de valores e imposição de metas de apostas aparentemente inatingíveis". O processo se baseia em duas linhas simultâneas de investigação: o recebimento de denúncias de consumidores sobre retenção sistemática de valores depositados, bloqueio de contas e apresentação de justificativas genéricas; e o recebimento de relatório técnico com mais de 42 mil reclamações registradas contra a plataforma. O MP pede uma indenização por danos morais coletivos, em valor não inferior a R$ 120 milhões. Segundo a ação, as apurações foram iniciadas em 2023, período no qual a Blaze operava sem qualquer autorização federal. Ainda de acordo com o MP, o alvo principal dessas campanhas abusivas são indivíduos em situação de hipervulnerabilidade econômica, atraídos pela "promessa ilusória de 'renda extra' e pela identificação afetiva com as figuras públicas contratadas". Para viabilizar a coleta e a análise das práticas publicitárias da Blaze, servidores do MP do DF se cadastraram na plataforma para monitorar as publicidades da empresa. De acordo com o documento obtido pela reportagem, há o envio sistemático de e-mails promocionais. Depoimento no Senado Virgínia diz que 'só uma vez' seguidor pediu ajuda por causa de bets Em maio de 2025, Virginia Fonseca compareceu à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) das Bets, no Senado Federal, convidada como testemunha, e falou sobre os anúncios que fez para empresas de apostas. No depoimento, a influenciadora disse que não se arrependia dos anúncios e que não tem como ajudar seguidores que pedem socorro. Ao longo do depoimento, Virginia também disse: que sempre seguiu a legislação e alertou seguidores sobre os riscos das bets; que seus contratos não têm a chamada "cláusula da desgraça" – que dá aos influenciadores um percentual sobre as perdas dos apostadores; que não usa a própria conta de apostadora para gravar os vídeos de publicidade; que ainda tem contrato de publicidade com a Blaze, mas não mais com a Esportes da Sorte. O que diz a defesa de Virginia Fonseca "A defesa de Virginia Fonseca tomou conhecimento, por meio da imprensa, nesta quinta-feira (9), da Ação Civil Pública ajuizada pelo Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT). As alegações serão respondidas tecnicamente nos autos. Contudo, cabe destacar que a própria petição inicial reconhece a existência de diligências ainda pendentes, incluindo a requisição de contratos e outras informações relevantes. Esses documentos são essenciais para o completo esclarecimento dos fatos, especialmente quanto à natureza do vínculo, à forma de remuneração e aos limites da atuação publicitária de Virginia Fonseca. A defesa entende que o MPDFT poderia ter aguardado a conclusão das apurações instauradas pelo próprio órgão, o que certamente daria outro rumo à demanda. A defesa refuta as alegações manifestadas na ação, especialmente qualquer afirmação de conluio, atuação predatória ou intenção de causar prejuízo aos consumidores. A responsabilização civil deve estar amparada em provas concretas, e não em presunções ou ilações decorrentes da condição de pessoa pública da influenciadora. A defesa reafirma sua confiança nas instituições e no Poder Judiciário e prestará todos os esclarecimentos nos autos, oportunidade em que demonstrará, de forma técnica e documentada, a improcedência dos pedidos formulados contra Virginia Fonseca. Nota jurídica assinada por: Sanderson Mafra" O que diz a Blaze "A Foggo Entertainment Ltda, detentora da marca e Operação Blaze no Brasil, esclarece que, até o presente momento, não foi formalmente intimada a respeito do referido procedimento do Ministério Público do Distrito Federal e dos Territórios (MPDFT). A Foggo se mantém comprometida com a transparência e conformidade com a legislação e as regulamentações em vigor no país. Nossas operações e parcerias são sempre pautadas pelas melhores práticas de mercado, com foco absoluto na segurança de nossos usuários, seguindo princípios legais e normas aplicáveis, assim como com base nas diretrizes de Jogo Responsável. Assim que formalmente notificada, a Foggo prestará todos os esclarecimentos necessários às autoridades competentes e a quem mais se fizer necessário." LEIA TAMBÉM: VIRGINIA FONSECA E BLAZE: servidores do MP se cadastraram em site de aposta para colher provas ELEIÇÕES 2026: Ibaneis nega que crise no BRB tenha contribuído para desistência de candidatura ao Senado Leia mais notícias sobre a região no g1 DF.

FONTE: https://g1.globo.com/df/distrito-federal/noticia/2026/07/09/virginia-induziu-publico-a-erro-ao-apostar-em-cabo-verde-contra-a-argentina-na-copa-do-mundo-diz-mp-do-df.ghtml


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