Rapper de Sobradinho, Prince Belofá leva álbum 'NEGUINHO' ao Favela Talks em Brasília nesta quinta

  • 30/07/2026
(Foto: Reprodução)
Prince Belofá apresenta álbum ‘NEGUINHO’ em Brasília O rapper Prince Belofá, de Sobradinho, no Distrito Federal, apresenta o álbum de estreia "NEGUINHO" no Favela Talks nesta quinta-feira (30) no Birosca do Conic, em Brasília. A apresentação marca um reencontro com o festival que fez parte do início da trajetória do artista. Prince conheceu o Favela Sounds ainda na adolescência. Aos 16 anos, esteve no festival como público, em uma época em que participava de batalhas de rima e, segundo ele, ainda tentava entender o próprio lugar na música. Seis anos depois, retorna ao evento do outro lado: como uma das atrações da programação. ➡️ O rapper está entre os artistas selecionados para os showcases do Favela Talks, apresentações que funcionam como uma vitrine para aproximar talentos do Distrito Federal de curadores, produtores, selos, festivais, casas de shows e outros agentes do mercado musical [veja a programação no fim da reportagem]. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 DF no WhatsApp. “Acho que o Prince de 16 anos que pisou naquele baile pela primeira vez era só um garoto que estava tentando encontrar o que queria ser. Hoje eu sou um Prince mais maduro, eu sei exatamente o que eu sou, o que eu represento e o que a autoestima que eu coloco nas minhas músicas representa para outras pessoas”, disse em entrevista ao g1. Prince Belofá sobe ao palco do Favela Talks, nesta quinta-feira (30). DEBS/Divulgação Naquela época, Prince conta que "mal e mal" se sentia artista. Participava de batalhas de rima e ainda tentava descobrir o próprio caminho. “Eu achava que era só um rimador que ia nas batalhas de vez em quando, que às vezes conseguia arrancar uns gritos. Que perdia às vezes na primeira ou segunda fase e saía extremamente chateado, porque eu nunca gostei de perder”, lembra. Do samba em casa às batalhas de rima Antes dos palcos, a relação de Prince Belofá com a música começou dentro de casa. O artista cresceu ouvindo os sambas colocados pelo pai e conheceu o rap por meio de um tio, já falecido, que apresentou a ele grupos como Racionais MC’s. Prince Belofá sobe ao palco Favela Talks, nesta quinta-feira (30). DEBS/Divulgação Mais tarde, foram as batalhas de rima que transformaram essa influência familiar em uma relação própria com a música. As batalhas também foram uma porta de entrada para conhecer o próprio Distrito Federal. Morador de Sobradinho, Prince diz que, na adolescência, acessar a cena cultural da capital era difícil. Foi por meio do movimento de rua que começou a circular por outras regiões administrativas. “As batalhas de rima têm um processo de cultura e de democratização da cultura muito grande entre jovens periféricos. Indo para as batalhas, pude conhecer outras quebradas. Com esse movimento de rua, eu pude rodar o DF quase inteiro. Acho que são poucas as RAs em que eu não fui por conta das batalhas de rima”, diz. Sobradinho, por sua vez, permaneceu como uma das referências do trabalho do rapper. Prince cita a convivência na região e manifestações culturais, como o Bumba Meu Boi de Seu Teodoro, entre as influências que ajudaram a construir sua identidade artística. Conheça o Bumba Meu Boi de Seu Teodoro, que se tornou tradição em Sobradinho, na reportagem abaixo: Bora Falar de Cultura: Boi de Seu Teodoro Freire faz tradicional festa de celebração a São Sebastião “Sinto que todo artista que vem de Sobradinho tem aquele ‘quê’ a mais, um borogodó. É uma quebradinha ao mesmo tempo muito tranquila, um lugar em que a convivência enriquece muito”, afirma. Para ele, crescer em contato com manifestações culturais diferentes também ajudou a construir a versatilidade que hoje aparece em sua música. ‘Todo homem preto já foi um neguinho’ Essa mistura está presente em "NEGUINHO", primeiro álbum de Prince Belofá, que atravessa rap, funk, R&B e diferentes referências da música negra. O título, segundo o rapper, surgiu da intenção de falar sobre as experiências de homens negros a partir de uma palavra que pode assumir significados diferentes dependendo de quem a utiliza e em qual contexto. "NEGUINHO", primeiro álbum de Prince Belofá, atravessa rap, funk, R&B e diferentes referências da música negra. DEBS/Divulgação “Eu escolhi o nome ‘NEGUINHO’ para conseguir falar de e com os homens pretos de uma forma mais íntima. Todo homem preto já foi um neguinho”, explica. Prince cita desde o uso afetivo da palavra dentro da família até os diferentes sentidos que ela pode assumir na rua ou quando dita por uma pessoa branca. “Se minha avó me chama de neguinho, eu vou remeter a algo como carinho ou como uma bronca. Se meu pai me chama de neguinho, se meus amigos na rua me chamam de neguinho, é outra coisa. Se uma pessoa branca me chamar de neguinho, é outra. Escolhi ‘NEGUINHO’ porque dá para abordar essa pluralidade do termo”, diz. Entre as músicas do álbum, Prince aponta “Postura” como a faixa que melhor sintetiza o trabalho. A composição aborda temas como ancestralidade, religiões de matriz africana e mortalidade de jovens negros. Já a favorita do próprio rapper é “Palmiteiro”, parceria com Aggin — rapper do Distrito Federal, vindo da Estrutural. Para construir a sonoridade de “NEGUINHO”, Prince reuniu referências que vão de Jorge Aragão a nomes da cena contemporânea e artistas do próprio Distrito Federal, como Isa Marques, Aqualtune, Layó, Marcelo Café e Nayê. Favela Taks O Favela Talks é uma conferência voltada à criatividade periférica e integra a programação do Favela Sounds. Criado como espaço de formação e geração de oportunidades para jovens artistas, produtores e empreendedores das periferias do DF, o projeto reúne atividades como mentorias, bancas de ideias, rodadas de negócios, showcases e debates sobre o mercado da música. A programação musical começou nesta quarta-feira (29), no Ordinário Bar & Música, com shows de Nelson Rufino e Breno Alves, além da DJ Jess Ullun e showcases de Bárbara Silva e Deejay Ketlen. Nesta quinta-feira (30), a programação segue no Birosca do Conic, a partir das 19h, com show de MU540 e showcases de Japão, Negraflow, Prince Belofá, DJ Jazz e Fehlix. A entrada é gratuita, com retirada de ingressos pelo Shotgun. Nos dias 31 de julho e 1º de agosto, a programação se concentra na Praça do Museu Nacional da República, com o Baile do Favela Sounds, que celebra os dez anos do festival. Entre as atrações estão Gaby Amarantos, Puterrier, Kyan, Valesca Popozuda, Carlos do Complexo e artistas do DF. Leia mais notícias sobre a região no g1 DF.

FONTE: https://g1.globo.com/df/distrito-federal/o-que-fazer-no-distrito-federal/noticia/2026/07/30/rapper-de-sobradinho-prince-belofa-leva-album-neguinho-ao-favela-talks-em-brasilia-nesta-quinta.ghtml


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