Quem são os investigados por supostos descontos irregulares na folha de pagamento do GDF
19/06/2026
(Foto: Reprodução) Ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa e ex-secretário Ney Ferraz
Divulgação
Uma operação da Polícia Civil e do Ministério Público, deflagrada na manhã desta sexta-feira (19), investiga descontos irregulares na folha de pagamento de servidores do Distrito Federal. O Banco de Brasília (BRB) — responsável pelos pagamentos —, a Secretaria de Economia, o Instituto de Previdência dos Servidores do DF (Iprev) e a empresa PicPay são alvos.
Entre os investigados estão o ex-secretário de Economia do DF Ney Ferraz e o ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa, além de Eduardo Chedid Simões, diretor do PicPay, que já foi indiciado pela CPMI dos Descontos Indevidos do INSS.
O Ministério Público, com apoio da Polícia Civil, cumpre 50 mandados de busca e apreensão em Brasília, São Paulo (SP) e Curitiba (PR). O g1 tenta localizar a defesa dos alvos da operação.
✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 DF no WhatsApp.
Paulo Henrique Costa
Paulo Henrique Costa esteve à frente do BRB a partir de 2019, indicado pelo ex-governador do DF Ibaneis Rocha e conduziu a tentativa de compra do Banco Master pela instituição. O executivo foi afastado em novembro após decisão judicial.
Ele foi preso em abril deste ano, na Operação Compliance Zero, suspeito de não seguir práticas de governança e permitir negócios do BRB com o banco Master sem lastro — ou seja, sem garantias que sustentem seu valor.
Costa é formado em administração de empresas com especializações na área financeira em universidades do exterior, e possui mais de 20 anos de experiência no mercado financeiro.
Antes de assumir o BRB, ele era vice-presidente de Clientes, Negócios e Transformação Digital da Caixa Econômica Federal, onde trabalhava desde 2001 até assumir o BRB.
Ney Ferraz
Ney Ferraz foi alvo de outra operação da Polícia Civil e do MP nesta quarta-feira (17). A ação investiga crimes contra a administração pública.
O ex-secretário é advogado e servidor público federal do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Ele esteve em cargos estratégicos na gestão do ex-governador Ibaneis Rocha (MDB):
presidente do Instituto de Previdência dos Servidores Públicos do Distrito Federal (Iprev);
presidente do Instituto de Assistência à Saúde do Servidor do DF (Inas);
secretário de Planejamento, Orçamento e Administração do DF;
secretário de Economia do DF.
Em fevereiro do ano passado, ele e a esposa foram condenados por lavagem de dinheiro e ocultação de bens. As investigações identificaram as irregularidades enquanto ele presidia o Iprev, entre 2019 e 2022. À época, ele foi absolvido da acusação de corrupção.
Em julho, o Tribunal de Justiça do DF reformou a decisão anterior e condenou Ney Ferraz a nove anos e nove meses de prisão por corrupção e lavagem de dinheiro. Segundo a investigação, ele teria recebido cerca de R$ 1,6 milhão em propina no esquema.
À época, ele negou ter cometido irregularidades. Ney Ferraz afirmou que entraria com recurso no Superior Tribunal de Justiça (STJ).
Em agosto, após a condenação em segunda instância, Ney Ferraz pediu exoneração da Secretaria de Economia do DF.
Eduardo Chedid Simões
Eduardo é executivo do PicPay Bank – Banco Múltiplo S.A. Ele foi citado entre os gestores das instituições financeiras investigadas por atuação no ecossistema de consignados e descontos indevidos no INSS. Na CPMI dos Descontos Indevidos do INSS, Eduardo foi indiciado.
O que diz o PicPay
"O PicPay reafirma seu compromisso com a estrita observância da legislação e da regulamentação aplicáveis aos setores financeiro e de meios de pagamento.
A companhia não reconhece qualquer irregularidade nas operações mencionadas e rejeita a alegação de cobrança indevida. Seus produtos e serviços são estruturados e ofertados em conformidade com as normas vigentes e submetidos a rigorosos mecanismos de controle e supervisão.
O valor antecipado era disponibilizado no próprio cartão do cliente, depois de feita a solicitação por ele mesmo no aplicativo, sem intermediários ou associações e sem cobrança nessa modalidade.
O PicPay mantém uma sólida estrutura de governança corporativa, gestão de riscos e compliance, alinhada às melhores práticas de mercado e aos mais elevados padrões regulatórios.
A empresa seguirá colaborando plenamente com as autoridades competentes e está confiante de que quaisquer esclarecimentos necessários confirmarão a regularidade de sua atuação."
O que diz a Secretaria de Economia
"A Secretaria de Economia informa que, nesta sexta-feira (19), o Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) e a Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) realizaram ação de busca e apreensão relacionada a equipamentos utilizados por alguns servidores da Pasta no âmbito de investigação que apura fatos relacionados a acordos para concessão de empréstimos consignados firmados em período anterior. A Secretaria esclarece que a investigação tem como objeto a conduta de agentes públicos e não a atuação institucional da Pasta.
A Secretaria está colaborando integralmente com as autoridades responsáveis pela investigação, garantindo pleno acesso às instalações e prestando todo o apoio necessário para o cumprimento das diligências e a coleta dos materiais solicitados."
Leia mais notícias sobre a região no g1 DF.