Pedro Turra: laudo médico indica que causa da morte de jovem no DF foram socos, e não impacto em carro
13/03/2026
(Foto: Reprodução) Jovens trocam socos e murros em Vicente Pires.
Um laudo médico obtido pela família de Rodrigo Castanheira, de 16 anos, concluiu que a morte do adolescente foi causada diretamente pelos socos desferidos por Pedro Arthur Turra Basso, de 19 anos — e não por uma possível batida da cabeça contra um carro.
A hipótese do impacto no automóvel foi cogitada inicialmente e é sustentada, inclusive, na denúncia do Ministério Público do Distrito Federal.
O documento, assinado por Fábio Teixeira Giovanetti Pontes, foi juntado ao processo nesta semana. Com base nele, a família pede:
a ampliação da denúncia já apresentada à Justiça pelo MP;
uma perícia especializada nas imagens da briga;
uma análise biomecânica para investigar o possível uso de um soco inglês durante a agressão.
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O adolescente Rodrigo Castanheira morreu 16 dias após ser agredido pelo piloto Pedro Arthur Turra Bassos após uma briga por chiclete
Reprodução/TV Globo
O assistente de acusação, Albert Halex, também solicita a reabertura das investigações sobre as demais pessoas que estavam no veículo com o réu no momento dos fatos.
A reportagem tenta contato com a defesa de Pedro Arthur Turra Basso.
O que diz o laudo
O documento afirma que todas as lesões que levaram à morte do jovem estão localizadas no lado esquerdo da cabeça.
Na análise da acusação, as imagens da briga mostram que Turra desferiu vários socos do justamente do lado esquerdo e, em determinado momento, Rodrigo bate o lado direito da cabeça na porta de um carro.
Segundo laudo, as lesões são de um “trauma de golpe direto”, e não de contragolpe — o que ocorreria caso a cabeça tivesse batido em um anteparo, como o carro.
Nesse sentido, o neurocirurgião conclui que os danos que provocaram a morte de Rodrigo não correspondem aos de uma queda ou batida, mas a agressões repetidas.
"Estudos experimentais com cabeças de cadáver demonstram que, para fratura linear do crânio, é necessária pressão de 3,1 a 5,2 MPa (equivalente a 31,6 a 53 kgf/cm²) — forças compatíveis com socos humanos de alta intensidade e repetição", diz o médico.
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Suspeita de uso de soco inglês
A Polícia Civil cumpriu um mandado de busca e apreensão na casa de Pedro Turra, onde foi apreendido um soco inglês e facas
PCDF/Divulgação
O laudo também levanta a possibilidade de que o agressor tenha utilizado algum instrumento contundente, como um soco inglês, durante a briga.
A suspeita surgiu após a análise do exame de corpo de delito feito no investigado logo após o episódio.
Segundo o documento, não foram identificadas lesões nas mãos ou nos punhos, mesmo após a realização de múltiplos socos com força suficiente para provocar fratura no crânio da vítima.
O médico aponta que a ausência de lesões nas mãos de Pedro é “ atípica e de difícil explicação sem a presença de um elemento protetor/amplificador de força".
"A presença de instrumento contundente (como soco inglês ou similar) explicaria coerentemente a preservação íntegra da mão do agressor; a intensidade do trauma capaz de produzir fratura craniana linear com hematoma epidural volumoso", lauda o médico,
Apesar disso, o próprio laudo afirma que não é possível confirmar a existência do instrumento apenas com os documentos analisados, sendo necessária uma perícia específica nas imagens de vídeo da agressão. O parecer recomenda formalmente esse procedimento exame seja feito.
Pedro Turra, de 19 anos, é réu por homicídio doloso qualificado por motivo fútil. Ele cumpre prisão preventiva no Complexo Penitenciária da Papuda desde 2 de fevereiro.
No dia da prisão, a Polícia Civil cumpriu um mandado de busca e apreensão na casa do ex-piloto e apreendeu um soco inglês e facas (veja a foto acima).
Pai de adolescente morto após briga no DF questiona uso de 'soco inglês' por ex-piloto
O uso de um "soco inglês" ou outro instrumento não foi confirmado pela Polícia Civil no inquérito. Agora, a juntada de novos elementos fica a cargo da Justiça.
Em entrevista ao g1 e à TV Globo, a família de Rodrigo questionou o uso de algum instrumento no momento da briga.
"É muito improvável uma pessoa conseguir quebrar a cabeça de uma outra pessoa com a mão e não ter nenhum sinal na mão da pessoa. Não quebrar um dedo ou a própria mão", disse o pai de Rodrigo, Ricardo Almeida Castanheira.
Relembre o caso
A agressão ocorreu na madrugada de 23 de janeiro de 2026, no Distrito Federal. Segundo as investigações, Rodrigo se envolveu em uma briga com o ex-piloto Pedro Arthur Turra Basso, de 19 anos.
O jovem foi socorrido e levado ao hospital em estado grave. Ele passou por cirurgia e permaneceu internado por mais de duas semanas. Rodrigo teve morte encefálica confirmada em 7 de fevereiro.
Com a morte de Rodrigo, o MP reclassificou o crime cometido por Pedro Turra, inicialmente investigado como lesão corporal gravíssima, para homicídio.
Além da condenação criminal, o MP pediu que Pedro Turra seja obrigado a pagar R$ 400 mil por danos morais à família da vítima.
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