Operação faz buscas contra BRB, Secretaria de Economia do DF e PicPay

  • 19/06/2026
(Foto: Reprodução)
Operação mira irregularidades em folha de servidores do DF Uma operação do Ministério Público, deflagrada na manhã desta sexta-feira (19), investiga descontos irregulares na folha de pagamento de servidores do governo do Distrito Federal. Entre os alvos, estão o Banco de Brasília (BRB) — responsável pelos pagamentos —, a Secretaria de Economia do DF, o Instituto de Previdência dos Servidores do DF (Iprev), a empresa PicPay e a Associação dos Servidores Públicos do DF. Ney Ferraz, ex-secretário de Economia do DF, Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB que está preso, e Eduardo Chedid Simões, diretor do PicPay que já foi indiciado pela CPMI dos Descontos Indevidos do INSS, estão entre os investigados. O MP cumpre 50 mandados de busca e apreensão em Brasília, São Paulo (SP) e Curitiba (PR). Não há ordens de prisão. A reportagem tenta contato com os alvos da Operação Juro Zero. Em nota, o PicPay diz que "não reconhece qualquer irregularidade nas operações mencionadas e rejeita a alegação de cobrança indevida". A Secretaria de Economia diz que a "investigação tem como objeto a conduta de agentes públicos e não a atuação institucional da Pasta" (veja íntegras das notas abaixo). ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 DF no WhatsApp. Esquema Segundo as investigações, os órgãos fizeram um esquema de descontos indevidos, disfarçados de "taxas", na folha de pagamento de servidores distritais, a partir de um decreto distrital, de 8 de agosto de 2024, que teve origem na Secretaria de Economia, então chefiada por Ney Ferraz. Seis dias depois do decreto, o banco digital PicPay, integrante do grupo J&F, formalizou seu interesse em operar as folhas de pagamento do governo do DF, até então operadas pelo BRB, e oferecer o serviço de adiantamento salarial. Em março de 2026, o Tribunal de Contas do DF apontou suspeitas de que o PicPay estava descontando tarifas de forma irregular no contracheque dos servidores que optassem por receber o salário adiantado. De acordo com o Tribunal de Contas, o PicPay cobrava dos servidores uma "taxa de antecipação" – mesmo dizendo ser uma operação "sem juros". Entre agosto de 2024 e agosto de 2025, foram retirados compulsoriamente mais de R$ 80 milhões dos contracheques dos servidores distritais sobre a rubrica de “taxas”. "Independentemente da nomenclatura utilizada, possui a natureza econômica de custo do crédito, sendo, para todos os efeitos, uma forma de juro", apontou o documento do Tribunal. Após a manifestação do Tribunal de Contas, o contrato entre o PicPay e o governo do DF foi suspenso. Entenda aqui mais sobre o esquema Crimes investigados Operação investiga descontos irregulares na folha de pagamento de servidores do DF reprodução A Justiça bloqueou quase R$ 90 milhões em contas da PicPay e da Associação dos Servidores do Distrito Federal. São investigados os crimes: contra a economia popular; publicidade enganosa nas relações de consumo; inserção e modificação de dados em sistemas da Administração Pública; corrupção ativa e passiva; organização criminosa; lavagem de dinheiro. O que diz o PicPay "O PicPay reafirma seu compromisso com a estrita observância da legislação e da regulamentação aplicáveis aos setores financeiro e de meios de pagamento. A companhia não reconhece qualquer irregularidade nas operações mencionadas e rejeita a alegação de cobrança indevida. Seus produtos e serviços são estruturados e ofertados em conformidade com as normas vigentes e submetidos a rigorosos mecanismos de controle e supervisão. O valor antecipado era disponibilizado no próprio cartão do cliente, depois de feita a solicitação por ele mesmo no aplicativo, sem intermediários ou associações e sem cobrança nessa modalidade. O PicPay mantém uma sólida estrutura de governança corporativa, gestão de riscos e compliance, alinhada às melhores práticas de mercado e aos mais elevados padrões regulatórios. A empresa seguirá colaborando plenamente com as autoridades competentes e está confiante de que quaisquer esclarecimentos necessários confirmarão a regularidade de sua atuação." O que diz a Secretaria de Economia "A Secretaria de Economia informa que, nesta sexta-feira (19), o Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) e a Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) realizaram ação de busca e apreensão relacionada a equipamentos utilizados por alguns servidores da Pasta no âmbito de investigação que apura fatos relacionados a acordos para concessão de empréstimos consignados firmados em período anterior. A Secretaria esclarece que a investigação tem como objeto a conduta de agentes públicos e não a atuação institucional da Pasta. A Secretaria está colaborando integralmente com as autoridades responsáveis pela investigação, garantindo pleno acesso às instalações e prestando todo o apoio necessário para o cumprimento das diligências e a coleta dos materiais solicitados." Leia mais notícias sobre a região no g1 DF.

FONTE: https://g1.globo.com/df/distrito-federal/post/2026/06/19/operacao-investiga-esquema-na-folha-de-pagamento-de-servidores-do-df.ghtml


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