Mãe denuncia morte de bebê após hospital demorar 3 dias para realizar parto no DF
17/07/2026
(Foto: Reprodução) Karleane da Conceição Souza Pereira, de 25 anos, denuncia que perdeu bebê após o Hospital do Gama demorar três dias para realizar o parto
TV Globo
Karleane da Conceição Souza Pereira, de 25 anos, diz que perdeu seu filho Bernardo em 26 de junho, após o Hospital Regional do Gama demorar três dias para realizar o parto. Ela ainda conta que, no atestado de óbito, não há informações sobre a causa da morte e que denunciou o caso na Polícia Civil.
Karleane estava grávida de 9 meses e chegou no hospital no dia 24 de junho, com quadro de pré-eclâmpsia, e precisou esperar pelo parto até o terceiro dia de internação.
"Quando tirou, ele já não reagia, estava sem respirar, estava molinho. Eu perguntei ainda: meu filho vai ficar bem? Eles só me responderam: tudo que ele precisa está lá. Quando eu cheguei com o quadro de pré-eclâmpsia, eles deveriam ter feito a cirurgia imediatamente", fala Karleane da Conceição.
Em nota, a Secretaria de Saúde disse que determinou a imediata apuração das circunstâncias do caso. "A Secretaria somente se manifestará sobre as circunstâncias do atendimento após a conclusão da investigação, em respeito aos fatos e ao devido processo", diz.
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Mais denúncias
Secretário de Saúde e diretores de hospitais falam sobre mortes na rede pública
Esta é a sétima denúncia de negligência registrada pelo g1 e a TV Globo em menos de um mês. Cinco delas envolveram a morte de bebês ou de mães – quatro relacionadas ao momento do parto. São eles:
Vilmar Pereira da Silva, de 49 anos, morreu sem receber atendimento na UPA do Recanto das Emas, em 20 de junho;
Karleane da Conceição Souza Pereira, de 25 anos, perdeu o bebê após o Hospital do Gama demorar três dias para realizar o parto, em 26 de junho;
Luciana Ferreira, de 34 anos, perdeu a primeira filha no parto após idas e vindas do hospital, em 29 de junho;
Maria Vitória, de 5 meses, morreu depois de ser extubada de forma acidental na transferência entre o Hospital de Planaltina e o Hospital da Criança de Brasília, em 6 de julho;
Maria Graciana Andrade Alves, de 36 anos, morreu durante o parto no Hospital de Samambaia, na sexta (10);
Rodrigo Resende Prado, de 46 anos, morreu na calçada da porta do Hospital de Base, em Brasília, no domingo (12);
Maria Aparecida Galdino dos Santos, de 25 anos, morreu durante o parto no Hospital Regional de Samambaia, na segunda (13).
Demora no parto
A designer de sobrancelhas e depiladora Karleane da Conceição estava com 37 semanas e 6 dias de gestação. Ela deu entrada na maternidade do Hospital do Gama, no dia 24, com quadro de pré-eclâmpsia.
Karleane diz que precisou aguardar até o terceiro dia de internação para o parto, em 26 de junho, mesmo com os exames apontando que os batimentos cardíacos do bebê estavam acelerados.
Segundo a mãe, o bebê nasceu em sofrimento fetal, sem respirar, não chorou e teve que ser reanimado. Após o parto, a equipe retirou a mãe da sala e, momentos depois, informou que o bebê não tinha resistido.
"Já recebi ele morto nos meus braços. A gente foi questionar o que tinha acontecido e eles não souberam falar. Só falaram, primeiro, que poderia ser uma má formação nele. Eu acredito que não seja má formação, porque eu fiz tudo dele certinho. Todo mês eu estava em ultrassom, exame e nunca deu nada no pré-natal", conta a mãe.
A família denunciou o caso na 14ª Delegacia do Gama, procurou um advogado e Karleane da Conceição realizou um exame de corpo de delito.
"Esperar o laudo agora sair para a gente tomar as devidas providências. Se eles que são da Saúde, que estudam para aquilo, não sabem dizer o que aconteceu, quem somos nós pra dizer o que aconteceu", diz Karleane.
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