Lula diz ter chamado delegados que estão 'fingindo trabalhar' para combater crime organizado

  • 23/04/2026
(Foto: Reprodução)
Lula diz ter chamado delegados que estão 'fingindo trabalhar' para combater o crime O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta quinta-feira (23) que pediu ao ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington César Lima e Silva, para chamar delegados que estão fora da Polícia Federal, e delegados ou agentes que estão "fingindo trabalhar" para combater o crime organizado. "Ontem [quarta-feira], eu mandei o ministro da Justiça fazer uma nota convidando todos os delegados da Polícia Federal que estão fora da Polícia Federal. Só vai ficar fora aqueles que forem secretários de Estado", afirmou. "Mas, aqueles agentes ou delegados que estão aí, em outro lugar, fingindo que estão trabalhando e não estão trabalhando, todos vão ter que voltar, porque nós vamos derrotar o crime organizado", prosseguiu. Segundo Lula, a ideia é que todos os cargos da corporação sejam ocupados por servidores, com o objetivo de prender criminosos. A previsão anunciada pelo governo é que isso ocorra até o fim do ano. Lula em agenda em Planaltina. Ricardo Stuckert/ Presidência da República Nesta quarta, o presidente anunciou a contratação de 1 mil novos policiais federais para reforçar o combate ao crime organizado. Na ocasião, Lula gravou um vídeo para as redes sociais detalhando as nomeações. Segundo ele, serão 630 agentes, 160 escrivães, 120 delegados, 69 peritos e 21 papiloscopistas. A declaração de Lula foi dada no primeiro evento público dele após o retorno de uma agenda por países da Europa. O presidente participou da Feira Brasil na Mesa, realizada pela Embrapa, em Planaltina, no Distrito Federal (leia mais abaixo). Críticas a Trump Mais cedo, no mesmo evento, Lula afirmou que vai levar jabuticaba para o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na tentativa de acalmá-lo. "Agora, quando eu viajar, eu vou tentar levar um pé de jabuticaba para o Xi Jinping, vou tentar levar um para o Trump para acalmar ele. Dizer para ele que jabuticaba é calmante. Levar maracujá. Por que sabe o que acontece? O Brasil tem um potencial extraordinário, mas, muitas vezes, nós não sabemos aproveitar", afirmou. A relação bilateral entre Brasil e Estados Unidos atravessa um momento de tensão após o retorno de um delegado da Polícia Federal, que colaborava com o governo americano, ao Brasil e a adoção de medidas recíprocas pelo governo brasileiro. LEIA MAIS: Caso Ramagem: Lula diz esperar que EUA voltem a 'conversar' para que a relação volte à 'normalidade' O presidente falava sobre o potencial frutífero do Brasil, da importância da catalogação dos exemplares, de compartilhar esse potencial internamente e não apenas com o mundo. "Nós, brasileiros, ficamos muito preocupados em exportar os nossos produtos, mas muitas vezes a gente esquece que a gente tem um mercado extraordinário no país. Ou seja, um estado como São Paulo é muito maior que muitos países na Europa (...). Sós temos um mercado com uma classe média muito diversa, que pode consumir tudo aquilo que a gente pensa em vender para os europeus, para os chineses, para os americanos", argumentou. "O que acontece é que, muitas vezes, nós não fazemos propaganda daquilo que a gente produz. Às vezes, a gente esconde aquilo que a gente tem", emendou. Guerra e escravidão Em outro momento da sua fala, Lula mencionou que, "enquanto Trump quer fazer guerra, o Brasil quer ensinar o povo africano a fazer paz produzindo alimentos". O presidente se referia a investimentos que o governo quer fazer no continente africano e à dívida histórica da escravidão. “Eu acho que o Brasil tem uma dívida com o continente africano, são 350 anos de escravidão, a gente não pode pagar em dinheiro até porque se a gente pegar — todo ouro que os escravos ajudaram a retirar é que foi mandado pra Portugal para pagar dívida com a Inglaterra, a gente não pagaria a grandeza do povo africano no nosso país, na nossa cultura, na nossa produção", disse antes. "E como a gente pode pagar isso? A gente pode pagar isso, transferindo conhecimento. Eu acho que a gente pode pegar várias universidades nossas e fazer convênio com universidade em cada país, não precisa ser só país de língua portuguesa (...). Se a gente consegue fazer isso, a gente vai estar dando uma contribuição extraordinária para o continente africano", emendou. Feira da Embrapa Durante a Feira Brasil na Mesa, a Embrapa apresentou tecnologias voltadas especialmente ao fortalecimento da produção de pequenos produtores rurais, com soluções práticas que aumentam a produtividade, reduzem perdas e melhoram a qualidade dos alimentos. Acompanhado por pesquisadores, Lula visitou o pomar da ciência, com cultivos de baunilha, açaí, pitaya, maracujá e outras espécies. A iniciativa aproxima ciência e campo ao difundir inovações acessíveis, como técnicas de cultivo, manejo e pós-colheita, permitindo que agricultores familiares ampliem sua renda e ganhem mais autonomia na produção. Lula tem reforçado a agricultura familiar como eixo estratégico no combate à fome no país. Em seu terceiro mandato, a valorização dos pequenos produtores aparece como caminho para garantir alimentos saudáveis na mesa da população, ao mesmo tempo em que gera renda no campo. Programas de incentivo à produção, ampliação do crédito rural e políticas de compra pública de alimentos tem fortalecido a pequena agricultura.

FONTE: https://g1.globo.com/politica/noticia/2026/04/23/lula-diz-ter-convocado-delegados-que-estao-fora-da-pf-e-fingindo-trabalhar-para-combater-crime-organizado.ghtml


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