'Estão desolados', diz advogado sobre família de paciente assassinado por técnicos de enfermagem no DF
20/01/2026
(Foto: Reprodução) No DF, técnicos de enfermagem são presos sob suspeita de matar pacientes
Marcos Raymundo Fernandes Moreira, de 33 anos, foi uma das três vítimas assassinadas por técnicos de enfermagem no Distrito Federal. Marcos deixou a mãe, a esposa e uma filha de 5 anos.
"Eles estão desolados, não conseguem falar. A mãe [dele] está dormindo a base de remédios", disse o advogado da família, Vagner de Paula, em entrevista para a TV Globo nesta terça-feira (20).
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Segundo o advogado, Marcos chegou no Hospital Anchieta com suspeita de pancreatite e sentia dores na barriga. Ele estava caminhando e conversando, e não tinha comorbidades ou histórico de problema cardíaco.
No segundo dia no hospital, ele precisou ir para a UTI. O paciente sofreu uma parada cardíaca e foi entubado. Em 1° de dezembro de 2025, após 14 dias internado, ele sofreu uma segunda parada cardíaca e não sobreviveu.
Esta segunda parada cardíaca teria acontecido após o técnico de enfermagem Marcos Vinícius Silva Barbosa de Araújo, de 24 anos, aplicar um medicamento de forma irregular no sangue do paciente.
O suspeito cometeu o crime com outros dois pacientes e teve a ajuda de duas técnicas, Amanda Rodrigues de Sousa, de 28 anos, e Marcela Camilly Alves da Silva, de 22 anos. Os três estão presos desde 11 de janeiro.
"Vamos acompanhar o inquérito e também entrar na justiça com pedido de indenização contra o hospital", completou Vagner de Paula.
As vítimas são João Clemente Pereira, de 63 anos, Marcos Raymundo Fernandes Moreira, de 33 anos e Miranilde Pereira da Silva, de 75 anos
Arquivo pessoal/Reprodução
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Conselho de Enfermagem investiga
Em entrevista para a TV Globo nesta terça (20), o Conselho Regional de Enfermagem do DF (Coren) disse que esteve no Hospital Anchieta.
O presidente teve uma reunião com a direção do hospital e pediu formalmente para ter acesso às informações dos suspeitos, vídeos do circuito interno e acesso ao inquérito.
O Coren disse que não havia recebeu nenhuma denúncia anterior sobre os suspeitos e que, ao ficar sabendo do caso, determinou a abertura de uma investigação.
Vítimas tiveram piora súbita
De acordo com a diretora do Instituto Médico Legal, Márcia Reis, os pacientes tinham gravidades diferentes. Em todos os casos, a piora súbita das vítimas chamou a atenção do hospital e dos investigadores.
Nas imagens das câmeras de segurança da UTI, onde os pacientes estavam internados, a Polícia Civil percebeu que os medicamentos eram aplicados em momentos de piora das vítimas.
As vítimas são:
a professora aposentada Miranilde Pereira da Silva, 75 anos, de Taguatinga;
o servidor público João Clemente Pereira, 63 anos, do Riacho Fundo I;
o servidor público Marcos Raymundo Fernandes Moreira, 33 anos, de Brazlândia.
Segundo a Polícia Civil, o técnico de enfermagem o usou uma seringa para fazer 13 aplicações de desinfetante na professora aposentada.
Prisões por homicídio qualificado
Momento da prisão do suspeito de matar três pacientes na UTI do Hospital Anchieta.
De acordo com a Polícia Civil, as prisões de dois ex-técnicos de enfermagem aconteceram no último dia 11. Na ocasião, os agentes também cumpriram três mandados de busca e apreensão em Taguatinga, Brazlândia e Águas Lindas de Goiás.
A segunda fase da mesma operação foi deflagrada na última quinta-feira (15), quando foram apreendidos dispositivos eletrônicos em Ceilândia e Samambaia, e o terceiro suspeito foi preso.
A Polícia Civil ainda apura se existem outros casos no Hospital Anchieta e em outras unidades de saúde onde o homem de 24 anos atuou.
Veja os crimes pelos quais os suspeitos são investigados, segundo a Polícia Civil:
pela morte de Miranilde Pereira da Silva, os três suspeitos respondem por homicídio qualificado;
pela morte de João Clemente Pereira, o técnico e uma técnica respondem por homicídio qualificado;
pela morte de Marcos Raymundo Fernandes Moreira, o técnico e a outra técnica respondem por homicídio qualificado.
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