Documentos do BRB apontam que Master cancelou reuniões destinadas a resolver pendências sobre carteiras podres

  • 31/03/2026
(Foto: Reprodução)
CASO MASTER 🔍 Documentos internos do Banco de Brasília (BRB) apontam que o Banco Master cancelou reuniões, deixou de responder a cobranças formais e não esclareceu pendências relacionadas a carteiras de crédito adquiridas pelo BRB. Ao longo de 2025, o BRB tentou comprar o 58% das ações Banco Master por R$ 2 bilhões, mas a operação foi barrada pelo Banco Central, que liquidou o banco na mesma data em que prendeu o dono do Master, Daniel Vorcaro. As informações estão em relatórios, de 4 de abril e de 19 de maio de 2025, elaborados por um grupo de trabalho do BRB responsável por analisar operações do produto CredCesta — um cartão de benefício consignado ofertado a servidores públicos, aposentados e pensionistas, onde o pagamento das parcelas é descontado diretamente da folha de pagamento. O g1 questionou o BRB, mas não obteve resposta até a última atualização desta reportagem. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 DF no WhatsApp. Segundo os documentos, o banco identificou inconsistências em repasses financeiros, falhas na documentação e dificuldades para verificar contratos. Com o diagnóstico, o BRB tentou, sem sucesso, resolver os problemas diretamente com o Master. De acordo com o primeiro relatório, concluído uma semana depois do BRB informar ao mercado a intenção de comprar o Master, o banco passou a enviar cobranças após identificar divergências nos repasses. Em um dos casos, técnicos apontaram que parcelas previstas não haviam sido incluídas nos arquivos enviados pelo Master, o que gerou uma "inadimplência muito acima do esperado". Diversos adiamentos Fachada do Banco Master no Itaim Bibi, na Zona Sul de São Paulo, no dia 19 de novembro de 2025 Rovena Rosa/Agência Brasil Já no segundo relatório o banco destaca que, além dos e-mails, encaminhou ao menos três cartas formais pedindo esclarecimentos sobre pendências financeiras, critérios das operações e cumprimento de cláusulas contratuais. Houve apenas resposta parcial a um dos pedidos. O segundo relatório detalha uma sequência de tentativas frustradas do BRB de se reunir com o Banco Master para tratar de pendências nas carteiras de crédito. A primeira reunião foi marcada para 4 de abril. Na própria data, o Banco Master pediu o adiamento do encontro para o dia 7. No encontro, a pauta foi alterada e a reunião específica sobre lastros acabou remarcada para o dia seguinte, 8 de abril No dia 8, a reunião chegou a ser realizada, mas, segundo o relatório, serviu apenas para que o Banco Master solicitasse um novo adiamento, passando o encontro para o dia seguinte. Em 9 de abril, pouco antes do horário previsto, o Master voltou a pedir o reagendamento, desta vez para o dia 14 de abril. Na ocasião, o BRB havia solicitado ao banco quatro levantamentos considerados essenciais para a análise das carteiras, mas nenhum deles foi apresentado. Segundo o relatório, os pedidos envolviam: a relação de contratos originados por associações; a relação de contratos originados diretamente pelo Banco Master; a listagem dos contratos do produto CredCesta; e a identificação de contratos de crédito consignado e de outros produtos vinculados às operações. De acordo com o documento, o próprio Banco Master informou, por e-mail, que não havia conseguido concluir esses levantamentos, o que motivou o novo pedido de adiamento da reunião. No dia 14 de abril, o Banco Master declinou da reunião. O BRB chegou a pedir, por meio de mensagens, que fosse informada uma nova data e horário ainda naquele dia, mas não houve retorno. Diante da sequência de adiamentos e da falta de resposta, em 15 de abril de 2025 o grupo de trabalho do BRB registrou formalmente preocupação com o que classificou como “constantes remarcações e recusas” do Banco Master em participar das reuniões. Primeira visita técnica Na mesma data, o grupo de trabalho iniciou a primeira visita técnica na sede do Master, em São Paulo, para tentar avançar na resolução das pendências. Entre os dias 15 e 17 de abril de 2025, o grupo de trabalho esteve no Master com o objetivo de obter respostas às cobranças feitas nas cartas formais e conciliar informações financeiras relacionadas aos repasses. O relatório destaca que o controle das operações era feito de forma manual, por meio de planilhas, e havia limitações na capacidade de calcular os valores de repasse. O documento também aponta demora no atendimento às demandas do BRB e pouco conhecimento, por parte da equipe do Master sobre parte das operações — especialmente aquelas originadas por associações. Durante os trabalhos, técnicos do BRB identificaram valores referentes a parcelas que constavam nos arquivos, mas não haviam sido repassados financeiramente. De acordo com o documento, foram identificados cerca de R$ 15,5 milhões nessas condições, dos quais o Banco Master reconheceu aproximadamente R$ 14,5 milhões, que foram efetivamente pagos durante a visita do grupo de trabalho. Segunda visita técnica Uma segunda visita técnica foi realizada nos dias 29 e 30 de abril de 2025 com o objetivo de aprofundar a apuração sobre averbações, lastros e informações complementares das operações, além de discutir aspectos operacionais, como a possibilidade de utilização de conta escrow — uma conta do Banco Master no BRB onde os repasses dos órgãos pagadores seriam depositados diretamente, permitindo ao BRB conciliar os valores antes de qualquer movimentação. Foi nesta visita que o BRB descobriu que boa parte das carteiras de créditos adquiridas do Master não tinham como fonte o banco de Daniel Vorcaro e sim a Tirreno, empresa fundada meses antes, em 4 de novembro de 2024. Quando questionada nas reuniões anteriores sobre a origem das carteiras de crédito, a equipe do Master dizia que parte dos contratos vinha de uma "associação", mas sem identificar o nome da instituição. A identificação formal como Tirreno só veio na visita presencial, através do superintendente executivo de Tesouraria, Alberto Felix. Duas semanas depois, segundo o relatório, o Master informou ao BRB em uma reunião virtual que não realizava o registro dessas operações em seu balanço, o que, segundo o grupo de trabalho, dificultava a rastreabilidade e a validação dos contratos adquiridos. Segundo as investigações, o BRB comprou R$ 12 bilhões em carteiras de crédito podres, que não pertenciam ao Master e não tinham garantias financeiras. A suspeita é que o Banco Master não tinha fundos suficientes para honrar os títulos que emitiu, com vencimento em 2025. Comprou então créditos - sem realizar qualquer pagamento – da Tirreno para, em seguida, revender ao BRB. Leia mais notícias sobre a região no g1 DF.

FONTE: https://g1.globo.com/df/distrito-federal/noticia/2026/03/31/documentos-do-brb-apontam-que-master-cancelou-reunioes-destinadas-a-resolver-pendencias-sobre-carteiras-podres.ghtml


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