Criança que morreu picada por escorpião no DF esperou 8 horas por transferência de hospital; família alega negligência

  • 06/07/2026
(Foto: Reprodução)
Valentina Nobre Lima, internada após picadas de escorpião no DF Arquivo pessoal/Reprodução A família de Valentina Nobre Lima, de 11 anos — que morreu após ser picada por um escorpião, no Distrito Federal —, alega negligência no atendimento da menina, o que teria prejudicado seu quadro de saúde. Valentina foi picada no dia 11 de junho (veja detalhes abaixo). Foram oito horas de espera por um leito de UTI e uma ambulância, que só foram disponibilizados na madrugada do dia 12. A menina ficou intubada e em coma induzido, mas não resistiu e morreu no último domingo (5). A família de Valentina acredita que o quadro só chegou a esse nível de gravidade em razão de sucessivos atrasos e barreiras no atendimento do Samu e da rede pública de saúde. Em nota, a Secretaria de Saúde e bombeiros afirmam que a criança recebeu atendimento imediato (veja íntegras no final da reportagem). ✅ Clique aqui para seguir o novo canal do g1 no WhatsApp. "A disponibilização de vagas de UTI segue critérios técnicos de regulação, que consideram a gravidade e a prioridade clínica de cada paciente. Enquanto aguardava a transferência, a paciente permaneceu sob acompanhamento contínuo da equipe assistencial", diz a secretaria de Saúde. "A disponibilidade de viaturas de emergência é dinâmica e está diretamente relacionada à demanda operacional existente em cada momento. Eventualmente, pode ocorrer de todos os recursos de uma determinada unidade estarem simultaneamente empregados em outras ocorrências, sem que isso interrompa a busca por alternativas para prestar o atendimento à população", diz os bombeiros. Acidente doméstico Menina picada por escorpião em tênis no DF completa uma semana intubada Valentina Lima Nobre morava com os pais no Riacho Fundo I. No último dia 11, ela foi picada por um escorpião escondido no tênis, enquanto se arrumava para ir à escola. A criança afirmou à família que sentiu três picadas do animal até conseguir tirar o calçado. A família diz que levou a menina até o 6º Grupamento de Bombeiro Militar, no Núcleo Bandeirante, mas que não conseguiu socorro no local. Depois, a família foi até o Hospital Regional do Guará, onde Valentina recebeu o soro antiescorpiônico. Os médicos teriam informado que a criança precisava de uma UTI, mas não havia leitos disponíveis na unidade. A família decidiu levar a menina até o Hospital Santa Lúcia, em Brasília, mas não havia ambulância pública disponível para fazer a transferência. Foram mais de oito horas de espera pelo transporte. O que diz a Secretaria de Saúde "A paciente V.N.L. recebeu atendimento imediato no Hospital Regional do Guará (HRGu), onde foram adotadas as medidas assistenciais indicadas para estabilização do quadro clínico. Durante todo o período em que permaneceu na unidade, a paciente foi acompanhada continuamente pela equipe, conforme os protocolos assistenciais e de regulação vigentes. A paciente foi inserida no sistema de regulação para transferência a uma unidade com leito especializado. A disponibilização de vagas de UTI segue critérios técnicos de regulação, que consideram a gravidade e a prioridade clínica de cada paciente. Enquanto aguardava a transferência, a paciente permaneceu sob acompanhamento contínuo da equipe assistencial. Na rede pública do Distrito Federal, o soro antiescorpiônico está disponível no Hospital Materno Infantil de Brasília (HMIB), Hospital Regional da Asa Norte (HRAN), Hospital Regional do Guará (HRGu), Hospital Regional de Brazlândia (HRBz), Hospital da Região Leste (Paranoá), Hospital Regional de Ceilândia (HRC), Hospital Regional do Gama (HRG), Hospital Regional de Santa Maria (HRSM), Hospital Regional de Planaltina (HRPl), Hospital Regional de Sobradinho (HRS) e Hospital Regional de Taguatinga (HRT)." O que diz o Corpo de Bombeiros "O Corpo de Bombeiros Militar do Distrito Federal (CBMDF) lamenta profundamente o falecimento da criança vítima de acidente escorpiônico e manifesta sua solidariedade aos familiares e amigos neste momento de imensa dor. Em relação ao atendimento prestado no dia 12 de junho, o CBMDF esclarece que duas senhoras e a criança compareceram ao 6º Grupamento de Bombeiro Militar, no Núcleo Bandeirante, em busca de auxílio. Naquele momento, todas as viaturas operacionais da unidade encontravam-se empenhadas em outras ocorrências de urgência e emergência, o que impossibilitava o envio imediato de um recurso de socorro para o transporte da paciente. Desde a chegada da família ao quartel, os militares buscaram alternativas para viabilizar o encaminhamento da criança ao atendimento adequado. Foi realizado acolhimento inicial e contato com o médico regulador do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU), a fim de identificar a unidade hospitalar de referência para o atendimento ao acidente escorpiônico e orientar o encaminhamento da paciente. Posteriormente, com a chegada do pai da criança em uma viatura da Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF), os familiares foram informados sobre a possibilidade de aguardar a disponibilização de uma viatura de socorro do CBMDF ou realizar o deslocamento imediato para a unidade hospitalar utilizando a viatura da PMDF. Diante das circunstâncias, o pai optou pelo deslocamento imediato. O procedimento adotado pelos militares teve como objetivo assegurar o encaminhamento da criança ao atendimento especializado o mais rapidamente possível, considerando as condições operacionais existentes naquele momento e a necessidade de direcionamento à unidade hospitalar de referência. A disponibilidade de viaturas de emergência é dinâmica e está diretamente relacionada à demanda operacional existente em cada momento. Eventualmente, pode ocorrer de todos os recursos de uma determinada unidade estarem simultaneamente empregados em outras ocorrências, sem que isso interrompa a busca por alternativas para prestar o atendimento à população. Em casos de acidentes com escorpiões ou outros animais peçonhentos, a orientação é manter a vítima em repouso relativo, evitar procedimentos caseiros, como torniquetes, cortes ou sucção do local da picada, e buscar atendimento médico imediatamente. Em caso de dúvidas sobre a unidade hospitalar de referência ou necessidade de orientação, a população pode acionar o Corpo de Bombeiros pelo telefone 193 . O CBMDF reafirma seu compromisso com a prestação de um atendimento técnico, responsável e humanizado à população do Distrito Federal, permanecendo à disposição das autoridades competentes para os esclarecimentos que se fizerem necessários." Leia mais notícias sobre a região no g1 DF.

FONTE: https://g1.globo.com/df/distrito-federal/noticia/2026/07/06/crianca-picada-por-escorpiao-no-df.ghtml


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