BRB tem 90 dias para indicar lista de ex-gestores a serem processados para ressarcir o banco; entenda os detalhes da cobrança
24/08/2026
(Foto: Reprodução) BRB, em imagem de arquivo
Jornal Nacional/ Reprodução
Os acionistas do Banco de Brasília aprovaram nesta segunda-feira (24), durante assembleia extraordinária geral, a possibilidade de acionar ex-gestores na Justiça – e cobrar deles os prejuízos causados ao banco no âmbito do caso Master.
A lista ainda será definida e depende da conclusão das investigações.
Por lei, o BRB tem agora 90 dias para fechar a lista e entrar com as ações na Justiça.
Caso isso não aconteça, qualquer acionista com mais de 5% de participação – incluindo o governo do DF – pode protocolar as ações.
Acionista majoritário do banco, o governo do DF votou a favor da responsabilização dos ex-administradores.
O voto do governo, assinado pela Procuradoria-Geral do DF, diz que a ação é indispensável para reaver o patrimônio do banco. A Secretaria de Economia do DF, que também emitiu parecer, afirma que as ações civis teriam a função de "proteção e eventual recomposição do patrimônio da Companhia".
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A decisão atinge ex-administradores identificados como responsáveis pelo prejuízo financeiro, seja por ação ou omissão. Cabe ao próprio BRB, junto aos setores de auditoria interna, apurar e divulgar os nomes envolvidos.
Além da identificação nominal dos ex-administradores, a decisão prevê "descrição individualizada das condutas e a quantificação mínima dos danos". O prazo para divulgação é de 90 dias.
Autoridades políticas não devem ser afetadas pela medida. Embora seja acionista majoritário do banco, o governo do DF não atua diretamente na administração do BRB.
🔎 O BRB, atualmente, encontra-se em crise por causa de negociações e operações realizadas com o Banco Master entre 2024 e 2025.
"A autorização atende Artigo nº 159 da Lei nº 6.404/1976 e não representa definição prévia de responsabilização de pessoas específicas. A deliberação durante a AGE é um rito procedimental essencial para que sejam continuadas as apurações de responsabilidade por parte da Polícia Federal e demais órgãos investigativos", afirmou o banco em nota.
Crise
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O BRB, atualmente, encontra-se em crise por causa de negociações e operações realizadas com o Banco Master entre 2024 e 2025, que somaram R$ 30 bilhões, segundo dados do próprio banco.
O BRB estimou que pelo menos R$ 8,8 bilhões dos créditos do Master comprados pelo BRB são títulos inexistentes, fraudados ou de difícil recuperação.
O governo do DF disse que consegue recuperar R$ 2,2 bilhões para cobrir parte desses títulos ruins com outras medidas – mas precisaria de um empréstimo para os outros R$ 6,6 bilhões.
Uma lei que autoriza o acordo firmado no Supremo Tribunal Federal (STF) para viabilizar o empréstimo de R$ 6,6 bilhões foi sancionada no dia 24 de junho.
O governo do DF é o acionista controlador do banco e utiliza o BRB para operar mais de 30 programas sociais, oferecer crédito habitacional e até para operar a folha de pagamento do funcionalismo distrital.
Por isso, cabe ao Executivo local garantir que o banco funcione dentro das regras do sistema financeiro do país – o que foi comprometido pelas supostas fraudes nas transações com o Master.
Ex-presidente do banco foi preso
Em novembro de 2025, a Polícia Federal deflagrou a operação Compliance Zero e apontou um suposto esquema de fraudes financeiras bilionárias – incluindo boa parte dessas transações.
Em abril deste ano, uma nova fase da investigação levou à prisão do ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa. A PF afirma que ele teria permitido negócios com o Master sem lastro e sem seguir práticas adequadas de governança.
O que diz o BRB
"O BRB informa que foi aprovada autorização para ajuizamento de medidas de responsabilização civil contra ex-administradores que venham a ser identificados como responsáveis por prejuízos causados ao Banco em operações relacionadas ao ecossistema Master/REAG. A deliberação dos acionistas ocorreu por maioria de votos durante Assembleia Geral Extraordinária realizada na manhã de hoje (24/8).
A autorização atende Artigo nº 159 da Lei nº 6.404/1976 e não representa definição prévia de responsabilização de pessoas específicas. A deliberação durante a AGE é um rito procedimental essencial para que sejam continuadas as apurações de responsabilidade por parte da Polícia Federal e demais órgãos investigativos.
A medida reforça o compromisso do BRB com a transparência, a governança e a defesa dos interesses dos acionistas, visando ao eventual ressarcimento de danos ao patrimônio da Instituição.
O Banco reitera que todas as deliberações relacionadas aos investimentos de seu portfólio observam critérios técnicos, regulatórios e de proteção ao interesse de seus acionistas e stakeholders, sempre em conformidade com as normas aplicáveis ao mercado de capitais."
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